“Não vim ao mundo para ser mãe de quem devia ser companheiro.
Cada casal tem os seus códigos, hábitos, carinhos, problemas e costumes particulares. Não tenho nada com isso, mas o que mais se lê nos grupos de mulheres, é esposa a reclamando que não aguenta mais cuidar de marido como se um fosse filho.
Fato é que a figura do “marido menino” não faz mais sucesso como antigamente. Claro. Felizmente.
O mundo mudou e não somos mais obrigadas. Eu mesma, se for viver com alguém que não consiga escolher as próprias roupas, cozinhar a própria comida, lavar os próprios pratos, cuidar dos próprios filhos e limpar a própria casa, não sendo um parceiro adulto em todas as questões quotidianas, estou fora.
É bem mais lucrativo ficar sozinha. Porque a outra coisa boa é que não precisamos mais casar.
Lembro, sem saudade nenhuma, do namorado que, sem tirar os olhos da televisão, me estendeu o copo dizendo “faltou açúcar” assim, como se fosse minha obrigação saber o paladar dele.
Se ele mesmo não tomasse uma atitude, estaria parado, naquela posição, até hoje. Eu só olhei, nem precisei dizer nada. Recado dado e entendido. Então ele foi dispensado da minha vida depois que descobri que não vim ao mundo para ser mãe de quem devia ser companheiro.
Não faço questão de dividir minha vida com quem se aproveita de mim. Ou com quem é idiota ao ponto de, depois de adulto, não conseguir acabar com hábitos desenvolvidos em família. Será que você foi educado assim? Acabe com isso. Aprenda. Reaja. Há tempo para isso.
Eu não sabia nada da vida até morar sozinha, aprendi a cozinhar pesquisando em sites de culinária e sei como cuidar do meu filho porque leio, me informo e procuro saber.
Compreender, aceitar, cuidar, acolher, perdoar são verbos lindos, cheios de poesia e necessários à boa convivência entre humanos. Mas não são exclusivamente femininos. Bom é a troca. Homens não são naturalmente infantis até à morte, mas ainda são condicionados a viver assim.
Mulheres não são geneticamente subservientes ou programadas para cuidar dos outros. E nem maduras por natureza. Vamos colocar os pingos nos is: casamento não é adoção e marido não é filho. Não mais. Por mais que ainda, muitas vezes, pareça ser assim.”

