Apaixonaram-se no ensino médio, mas tiveram que esperar 45 anos para ficar juntos

Quando Howard Foster acabou a sua relação com Myra Clark, há mais de 45 anos, fez porque temia que ela nunca fosse feliz se ficassem juntos. Mas quando a viu novamente, 43 anos depois, soube que nunca mais a deixaria.

Décadas depois do racismo ter causado o fim da relação, os dois se reencontraram, no outono de 2013. Deram as mãos sobre uma mesa de piquenique enquanto conversavam, como se nunca tivessem se separado.

“É daqueles sonhos que nunca pensamos que se tornaria realidade… lá estava ela”, disse Howard.

Na semana passada, o casal inter-racial sentou-se no sofá da sua casa em North Side, e falaram sobre o relacionamento deles. Ambos na faixa dos 60 anos, dão as mãos todas as noites quando adormecem. Myra ri com as provocações divertidas de Howard e os dois dizem que não se arrependem de como as coisas aconteceram.

Quando Howard e Myra, casados desde 2015, namoraram pela primeira vez no final da década de 1960, as tensões raciais eram ainda muito sentidas nos EUA. Nesse período o casamento inter-racial era proibido em Columbus.

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Ainda assim, o casal perseverou, muitas vezes ficando acordado até altas horas da manhã, falando ao telefone. Infelizmente, quando se formaram em 1969, as coisas mudaram, disse Howard.

Eles continuaram os seus estudos, mas a experiência de Howard diferia muito da de Myra. Ele teve de sofrer com o racismo dos seus professores, e o pior é que era a única pessoa negra a frequentar o colégio da cidade.

“Não importava o quão bem eu fizesse um projeto, tirava sempre um D”, lembra Howard sobre uma disciplina, com um professor em específico.

“Eu nunca tinha vivido esse tipo de racismo, daquela maneira. Eu pensei que aquilo não iria dar certo, e pensei muito em como a nossa relação poderia vir a prejudicar Myra”, conta.

“A sociedade não nos deixaria ficar juntos e ela seria infeliz. Ela cansava-se dos olhares e eu apenas pensei que era injusto para ela. A felicidade dela era a coisa mais importante”, explica Howard.

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“Eu acreditei nele. Eu acreditava que ele pensava que eu seria feliz (sem ele), embora ele não soubesse do que eu sou realmente feita. Mas tudo bem”, diz Myra.

De volta à casa dos Foster (Howard e Myra), o casal reveza-se, dando o seu “lado” das coisas enquanto riem da maneira como o outro as descreve.

“Nós gostamos um do outro. Gostamos mesmo verdadeiramente um do outro”, disse Howard.

Embora eles pensassem um no outro ao longo dos anos, nenhum deles parecia pensar que voltariam a ficar juntos, e muito menos casados, disse Howard.

Os caminhos deles podem ter-se cruzado um milhão de vezes, pois cada um deles viveu na mesma cidade, apesar de nunca saberem. Em 2013, um amigo em comum passou as informações de contato de Myra para Howard – ela ouviu que o amigo o conhecia e foram reapresentados.

Quando as pessoas perguntaram ao casal porque é que se casariam aos 60 anos, Howard teve uma boa resposta: “nós não vamos casar por queremos fazer alguma coisa em especial, e sim porque apenas queremos passar à vida juntos”, explica Howard.