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Jovem com autismo desafiou diagnósticos e se formou em medicina

Esta é a história de Enã Rezende, um jovem de 26 anos, filho da psicóloga Érica Rezende, de 46, que há 20 anos ouviu uma professora dizer-lhe que ele nunca conseguiria aprender a ler.

Porém, para surpresa de muitos, Enã provou que essa professora estava errada, e acabou se formando em medicina!

Embora só tenha sido oficialmente diagnosticado com Síndrome de Asperger (autismo) aos 19 anos, desde criança que Enã sofre de preconceito por ser um pouco diferente dos outros.

“Eu dizia para mim mesmo: tenho de vencer na vida e mostrar que todos estão errados sobre mim. Sempre soube que teria de lutar mais que os outros para conquistar os meus objetivos”, conta Enã.

“Uma das primeiras coisas de que nos apercebemos foi a dificuldade que ele tinha na fala. Não articulava bem as palavras e também tinha dificuldades de compreensão. Não conseguia olhar as pessoas nos olhos. Em contrapartida, tudo o que eu lhe ensinava, ele aprendia logo de primeira”, lembra a mãe.

Com apenas 2 anos, Enã foi diagnosticado com psicose infantil, associada a dificuldades no desenvolvimento da criança, e atualmente à esquizofrenia.

A morte do pai em acidente do carro, quando Enã tinha sete anos, despertou interesse pela medicina

Tendo o curso de psicologia, Érica sempre achou que aquele diagnóstico não estava certo. “Desde o início, sempre soube que foi um erro. A psicose pode ser muito parecida ao autismo, mas não era o caso do meu filho. Sempre achei que ele tivesse autismo. Até hoje o diagnóstico é difícil, mas há duas décadas ainda era mais”, explica.

Então, Enã passou a ter acompanhamento psicológico e fonoaudiológico, mas alguns anos depois começou a ser vítima de bullying.

“As pessoas riam dele, mas acho que ele não reparava nisso”, acrescentou a mãe, a quem muitas vezes perguntavam a razão para as dificuldades de interação e fala do jovem.

Quando Enã tinha 7 anos, uma professora chamou a mãe dele à escola para falar com ela, e disse-lhe que ele não ia conseguir aprender a ler.

“Então, eu o mudei de escola. Além disso, uma tia dele, que é uma educadora exímia, passou a ensiná-lo e ele aprendeu a ler”, conta a mãe de Enã.

Infelizmente, o pai do jovem morreu num acidente de carro nesse mesmo ano, e isso acabou despertanado em Enã um forte interesse pela medicina.

O impacto do acidente do pai foi tão grande no jovem, que o fez desejar especializar-se em neurocirurgia.

“Espero poder salvar a vida de outros pais. A do meu já não pode ser salva, mas quero impedir outras crianças de ficarem sem pai”, explica Enã.

No final de 2012, o jovem entrou em Medicina na Universidade de Cuiabá, e iniciou o curso no começo do ano seguinte.

Durante os seus anos na universidade, Enã foi um aluno exemplar, que nunca reprovou em nenhuma das cadeiras.

Enã até costumava ajudar os colegas e chegou mesmo a ser monitor no seu curso, para ajudar alunos de outras turmas.

“Se uma pessoa não quiser ser ajudada por um médico por ele ser autista, sairá perdendo. Os autistas são pessoas extremamente focadas, que vão lutar afincadamente para ajudar. Tenho a mesma capacidade que qualquer outro médico”, garante Enã.

Esta é sem dúvida uma história de superação inspiradora, que merece ser compartilhada!